Wednesday, February 15, 2006

Uma teoria para os solidários com a solidão (uma luz ao fundo do túnel ou uma iluminação espiritual)

Ontem[1], enquanto pacientemente aguardava para jantar num shopping atolhado de casais muito amarradinhos, ia observando os seus comportamentos, quando me apercebi que a minha mente se encontrava buliçosa... E porquê? Questão: "Quem é a pessoa que mais ama?". Se fizesse esta pergunta aos vários pombos que passavam, muitos iriam responder "a minha namorada/o", conforme o sexo do inquirido. Nesse momento uma forte luz caíu sobre mim[2] (e cegou-me fortemente, mas com sorte que o hospital er ado outro lado da rua)! Descobri o ponto erróneo. A resposta à questão colocada é... nós próprios (a partir de agora vou referir-me a este ser como A-Mim[3])!!! Logo, isto é uma grande hipocrisia[4]!
Como tal, então a quem devemos dar todos os mimos? A-Mim, claro! Então tudo o que fariamos com uma/um namorada/o fazemos ao nosso ego, que também se pode camalear por um dia num ser do sexo oposto ao do blogoleitor[5] para que estejamos ainda melhor acompanhados. Aqui vai uma lista com o que fariamos ao nosso ser mais querido:

  1. Prenda: os namorados oferecem sempre prendas. Nesse caso também ofereço uma prenda A-Mim. E com o que me vou presentear? Com o que à tanto tempo desejo e ninguém me deu em ocasiões transactas... Tem logo uma vantagem: o risco de poder injuriar com uma frase do género "Que prenda fantástica! Obrigado, amor!", e pensar "Porra!! Para que é que eu quero isto?!", é aniquilado! Com uma prenda A-Mim fico, com toda a certeza, satisfeito!

  2. Jantar fora: e ter que pagar o jantar de 2 (cavalheirismo acima de tudo!) num restaurante "chic"? Não serve um McDonalds? Ou uma "sandes" de torresmos e uma sumol na tasca do Zé Berlau?
    Mas calma! Tudo isto fica resolvido se for um jantar só p'ra A-Mim! Que importa se foi caro, se foi tudo só p'ra A-Mim? Até podia ser marisco a 70€/Kg! Quero lá saber, é tudo só p'ra A-Mim!

  3. Cinema: ver um filmezinho no cinema é que é romântico... BAAH! É que depois tem-se sempre que ver mais uma comédia romântica que é reatada todos os anos, onde só mudam os actores, mas cujo assunto e formato já todos sabemos qual é. Se for A-Mim, vou onde quero e vejo o filme que quero!

  4. Uma noite louca de prazer: a consumação! Mas depois de toda a energia dispendida na procura de uma prenda, num jantar em que ficamos fortemente enfartados e no visionamento dum filme chunga cuja única coisa que dá é sono, o que é que dá para fazer mais?
    Se for A-Mim não há esse problema! A longa noite de prazer começou no momento em que comprei uma prenda que queria, fui jantar o que quis, onde quis e por quanto quis, e vi o filme que quis, onde quis! E não há frustração nenhuma!

A paz de espírito atingiu-me... Amén...

PS: se o blogoleitor continua a sentir-se nervoso, é melhor ir a um hospital. Caso seja por remorsos por tudo o que perdeu no dia transacto, então vá já acabar com a/o sua/seu namorada/o e interne-se num hospícido devido à tamanha loucura que cometeu.


[1] Para a posteridade: o termo temporal ontem é relativo ao Dia dos Namorados do ano de graça de 2006
[2] Não me deu a entender que tenham sido extraterrestres ou um santo qualquer...
[3] Qualquer semelhança com um nome oriental é pura coincidência. Se algum senhor oriental aparecer a querer zaragatear porque não deu autorização para que o seu nome fosse utilizado nesta explanação, ou reclamar taxas, impostos, ou qualquer objecto pertencente à sua mulher, eu não devo nada, ouviu?
[4] Calma, caro blogoleitor[5]! É tudo na pândega! Guarde lá os torpedos que já me ia lançar, se faz essa fineza, e tome um copo de água com açúcar, ou uma águinha com gás, que ajuda a acalmar. Já está? Então retorne ao ponto onde abandonou a leitura do artigo.
[5] Pede-se confirmação da palavra. Caso não exista tenham a fineza de me contactar, pois ando a precisar de uns euros...

Saturday, November 20, 2004

Ventos

"Some men see things as they are and say why. I dream things that never were and say why not."
George B. Shaw

Hoje fico por aqui, mas com o próximo passo em mente.

Thursday, October 21, 2004

Farpas

Tuesday, October 05, 2004

Green Acres

Celebridade, nf Qualidade do que é célebre; notoriedade; fama; renome; pessoa célebre; notabilidade; coisa célebre.


Célebre, adj. (unif.) Que tem grande fama; muito notório; (fam.) excêntrico; esquisito (Superlativo: celebríssimo e [erud.] celebérrimo).


in Grande Dicionário Enciclopédico Verbo

Green Acres foi uma série dos anos 60 onde um casal de Nova Iorque decide mudar de vida, e como tal vão viver para o campo. Ele, um advogado, e ela, uma senhora do jet 7, queriam levar uma vida mais pacata, mas vão parar a uma terra onde tudo de estranho acontece. Apesar da sua intenção, não conseguem viver como tal. Isso nota-se em tudo, desde a maneira de agir até ao vestir (deliciosas cenas onde vão para o campo apanhar milho de fato e gravata :D ).

Após estes dois pontos vamos ao que interessa e ao que me trás aqui: Quinta das Celebridades, ou como eu prefiro Quinta das "Celebridades", pois cada uma era mais desconhecida que a outra (excepção à rã Castelo Branco, à vaquinha Cinha, ao touro Avelino, e a mais um ou dois). Algumas das pérolas que eu recolhi durante o visionamento do programa (sim, eu tenho mais que fazer na minha vida, mas tinha que ser... :P):

  • Ficamos todos a saber que o cão do Castelo Branco é visconde e chama-se Óscar. Senti-me reduzido... e não foi pelo facto de se chamar Óscar.

  • "Desiquilíbrios são outros."; Zézinho em relação aos seus sonhos. Porventura alguém viu algum desisílibrio nele? :P

  • "Como tudo o que aparecer pela frente."; Alexandre Frota acerca da sua alcunha de pitbull. De referir que José Castelo Branco esboçou um grande sorriso... e a partir daí nunca mais largou o brasileiro.

  • "[...] havia algumas vacas, e voltei a encontrar algumas já aqui em Lisboa."; Cinha Jardim quando falou sobre a sua infância numa quinta em Moçambique, e maravilhada por se ter reencontrado em Lisboa muitos anos depois.

  • "Palácio presidencial? Quem sabe daqui a uns anos..."; Cinha, a mostrar a faceta reencontrada em Lisboa.

  • Existe um grande prado na quinta. Cinha já não passa fome! Urrrrrrrrraaaaaa!!!

  • Castelinho começa a treinar para lavar a roupa suja, quando começa atacar Herman José, devido a este ter chamado pindéricos às "celebridades". Ouvi o Herman dizer algo de jeito?

  • Novamente, Zé Branco diz ter ficado admirado com os vegetais, especialmente os feijões, que viu no mercado do Bolhão. Devia pensar que os feijoeiros davam latas...

  • "Quero viver com outros animais."; Fátima Preto

  • "Que giro!!!"; o inestimável Zé a referir-se ao engenheiro agrónomo José Sassetti, que os vai acompanhar nas tarefas da quinta.

  • "O pato é carnívoro, porque é carne."; Paula Coelho, a menina que apresentava as notícias enquanto se despia.

  • "Meu Deus, mas eu vou precisar do meu cabeleireiro!"; who else, "White Castle" in is best...


Realmente, onde é que estamos? A ficção tornou-se mesmo realidade. Uma série que eu pensava que iria ser sempre uma ficção, tornou-se realidade. Vamos ver pessoas a trabalhar, espero eu, arduamente, com roupas de 100 contos, ou mais, a queixarem-se de a água ser fria, quando podiam aquecê-la no fogão, e a fazer concorrência no cheiro exalado. Cheiro esse que não é físico, mas que é bastante desagradável...
Andy Warhol tinha razão quando disse que todos iriamos ter os nossos 15 minutos de fama. E isso está a acontecer. Vemos durante 3 horas peidos e arrotos (desculpem os termos) de "celebridades", além de muita arrogância, egoísmo e narcisísmo. Como se não bastasse receberem uma choruda quantia por lá estarem a passar umas férias, ainda reclamam que são mal tratados. Imaginem, mal tratados. Que eu saiba foram para lá voluntários, mas nunca se sabe...
Espero que com esta experiência fiquem a saber o que é ter uma vida séria e digna.

Nota da redacção: durante todo o programa senti grandes vómitos e muitas cólicas, portanto sugiro-vos que não vejam o programa se não quiserem ter alguma sensação desagradável.

Sunday, September 26, 2004

Home, home again...


Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
It's good to warm my bones beside the fire
Far away across the fields
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.

Breathe (Reprise), Pink Floyd

Hoje foi bom voltar a casa. Depois de estar longe do aconchego único do meu sofá, da minha cama e do meu "laboratório" (aka, quarto), senti um calor, talvez, só comparável ao do aconchego uterino.
Podia ser a pior casa do mundo, mas seria sempre a minha barriga aconchegadora.

Thursday, September 16, 2004

11 de Setembro, estado da Nação, Cruzadas e "cowboyadas"

Um relatório do S.I.S. e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras recentemente revelado informa que o atentado perpetrado nas cidades de Nova Iorque e de Washington estava destinado a ser cometido única e exclusivamente na cidade de Lisboa.
Por diversos motivos que passaremos a detalhar, e segundo as informações entretanto recolhidas, dois terroristas de algum lugar do Médio Oriente chegaram a Lisboa com a firme determinação de executar o “castigo de Alá para com os infiéis portugueses”. Tal castigo não pôde ser levado a cabo…
Eis a história e o itinerário seguido pelos dois terroristas uma vez chegados ao nosso país. (Sic, tal como consta do relatório).

Domingo (23:47)
Chegam ao aeroporto da Portela, via aérea, vindos da Turquia. Saem do aeroporto com oito horas de atraso, depois de conseguirem recuperar as bagagens que estavam perdidas.
Apanham um taxi. O taxista vê-os pelo espelho e ao ver a pinta de turistas que tinham, resolve passeá-los por toda a Lisboa durante uma hora e meia. Ao ver que não abriam o bico depois de lhes ser cobrado vinte contos pela tarifa, resolve tramá-los e, por telemóvel, chama um cúmplice que entra no taxi na Rotunda de Algés.
Depois de uma carga de porrada e de lhes terem roubado todos os seus pertences, deixam-nos em Monsanto na companhia dos esquilos.

Segunda-feira (16.30)
Ao acordarem, depois da carga de porrada, conseguem chegar a um Hotel da Segunda Circular.
Na viagem de carro do hotel para o centro, são confrontados com uma manifestação da Fenprof, em conjunto com uma de funcionários camarários e outra de agricultores do Alentejo, juntamente com alguns condutores de tractores do Oeste.
Ficaram retidos no trânsito por tempo indeterminado.

Segunda-feira (19:30)
Chegam ao Rossio. (Por fim!)
Precisam de trocar dinheiro, para se movimentarem sem levantar suspeitas. Os seus dólares são trocados por notas de dez mil escudos falsas…

Segunda-feira (19:45)
Chegados ao Aeroporto da Portela, tentam embarcar num avião que se desfizesse sobre a Ponte 25 de Abril.
Os pilotos da TAP estão em greve. Exigem que lhes quadrupliquem o seu ordenado e reduzam as suas horas de trabalho. Os controladores de voo queixam-se do mesmo.
O único avião em pista é da SATA Internacional e já tinha treze horas de atraso em relação à hora prevista para a sua partida.
O pessoal de terra e os passageiros acampam no aeroporto, gritam palavras de ordem contra o Governo e os pilotos.
Chega a Brigada de Intervenção da P.S.P. e distribui paulada por todos os presentes.

Segunda-feira (21:05)
Por fim os ânimos acalmam-se. Dirigem-se ao balcão de uma companhia não identificada e pedem dois bilhetes para o Porto, sempre com a intenção de o desviar e faze-lo explodir contra um dos pilares da ponte. Mas o funcionário do balcão (um tal Octávio Machado) vende-lhes bilhetes para um voo que estava cancelado…

Segunda-feira (21:07)
Tendo em conta o avanço da hora, discutem entre si se deverão executar o seu plano ou não. Fazer explodir a Ponte e tudo ao seu redor já lhes parece mais uma obra de caridade que um acto terrorista.

Segunda-feira (22:10)
Mortos de fome, vão comer algo no bar do Aeroporto. Pedem duas chamuças e rissóis de camarão com salada russa.

Terça-feira (10:00)
Recuperam no Hospital de São José de uma intoxicação por salmonelas causada pela salada russa, depois de terem esperado toda a noite no Serviço de Urgência para que os atendessem.
A recuperação teria sido rápida, não fosse o desmoronar do tecto da enfermaria onde foram instalados.

Terça-feira da semana seguinte (19:00)
Uma semana depois tem alta do hospital e, ao passarem pelo Bairro Alto, vêem-se envolvidos numa rixa entre gangs rivais de skins, que se unem para lhes dar outra valente sova.
Decidem “dar de beber à dor, que é o melhor", visto que nada lhes sai de feição. Várias garrafas de whisky de Sacavém levam-nos outra vez ao hospital com uma intoxicação por álcool metílico.

Quarta-feira (09:00)
Escondem-se num contentor do primeiro barco que encontram e resolvem fugir do país na esperanca de chegarem a Marrocos.
Com uma ressaca monumental, juram por Alá não voltarem a tentar nada no nosso “abençoado” país.
Decidem fazê-lo nos Estados Unidos, por ser muito mais fácil!

Ok, é apenas uma brincadeira, mas como a brincar se dizem as verdades, o que acabaste de ler não deixa de ser o reflexo do nosso caro país.

Lembrando o 11 de Setembro: lembro-me perfeitamente do momento em que soube do embate do primeiro avião. Estava a tocar na minha guitarra o "In from the storm" do Jimi Hendrix, quando de repente a minha mãe telefona-me e diz-me "Os Estados Unidos estão a ser atacados! Liga a televisão no 1." E lá ligo a RTP e fico surpreendido com tamanha barbaridade. O resto do dia televisivo foi, naturalmente, preenchido com o facto. Facto que me faz lembrar as Cruzadas perpetradas pelos europeus à cerca de 1000 anos, onde os cavaleiros iam eliminar os infiéis muçulmanos, tudo em nome de Deus e da sua redemição dos pecados. Hoje, nós somos os infiéis e as razões são a religião e, para além disso, a economia ocidental e, a meu ver, uma certa inveja do nosso estilo de vida, o qual não é permitido e é mal visto por muçulmanos mais conservadores. E Alá é grande...

No entanto, os "heroís" não saem inocentes desta história, uma vez que as gloriosas Cruzadas também andam por terras americanas. Ou deverei dizer, o "farwest" regressou? Talvez seja mais isso. Quando vemos "boas acções" que mascaram interesses, uma sede de vingança (Golfo, 1991) e um "espectáculo" sangrento e atroz, penso: "Bem, afinal os americanos já andavam no espaço no século XIX." E as massas, pelo menos neste momento a maior parte assim o indica, parecem ficar cada vez mais contentes com isto e cada vez apoiam mais o cowboy mor, pois assim tem um verdadeiro reality show. Quem disse que era preciso o José Castelo Branco?

Thursday, September 02, 2004

Afinal os atentados não são só terroristas...

Há dias que temos visto nos jornais a existência de um rapto no Iraque. Mais um, mas este despertou-me especial atenção. Esta foi a primeira notícia que consegui recolher sobre o facto:

"[...] A Al-Jazeera anunciou ontem à noite que dois jornalistas franceses, Christian Cheston (da Rádio France Internacionale) e Georges Malbrunot (do Le Figaro ), foram raptados pelo Exército Islâmico do Iraque - responsável pela morte do jornalista italiano. O grupo reclama a anulação da lei sobre o véu islâmico em França no prazo de 48 horas. [...]"

in Diário de Notícias


Ora de facto este acto é muitíssimo condenável. Toda a gente o condenou, até o próprio porta-voz muçulmano desta questão em França, condenou o acto e pediu a libertação dos jornalistas alegando que tudo está a ser feito para que esta questão seja resolvida. O governo francês pediu a libertação dos prisioneiros e fez os possíveis para que tal ocorra. Parece que sempre os vão libertar.

Agora surge a questão: Não serão os dois intervenientes, os raptores e a República Francesa, ambos uns terroristas? E passo a explicar-me.

  • O acto dos raptores julgo dispensa explicação. É um acto condenável o de raptar duas pessoas inocentes e dizer que as matam se uma lei não for revogada. Nos tempos que correm não é o caminho a percorrer. Somos seres inteligentes e falantes, portanto dialoguemos sobre a questão.

  • Fiquei espantado quando a ública Francesa anunciou esta lei (aliás, lembro-me até que tive uma acesa discussão com a minha mãe acerca deste assunto). Num país dito livre criam uma lei que proibe o simples facto de as pessoas utilizarem símbolos religiosos em escolas? Claro que destacou-se imediatamente o islamismo, pelo facto de ser uma cultura cada que cada vez mais emergente na sociedade francesa e pelo facto de as mulheres usarem um lenço, uma tradição bastante remota do islamismo.
    Como pudemos comprovar houve várias interpretações da lei, entre elas que a dita cuja só afectava o islamismo. Explicações que ouvi levam-me sempre à mesma conclusão: uniformizar uma sociedade. Em termos do quê? Julgo que só aspecto. E esqueçem-se que ao tentarem isto estão a cortar duas liberdades importante num país democrático, a liberdade de opção e a liberdade de expressão . Ora isso é ridículo num dos países mais evoluídos da Europa.

Nunca me senti afectado por um colega meu ter ideias diferentes e as expressar, assim como ter outro credo e o expressar. Julgo que tal também não ocorre em França. Sendo assim, o que se passa?
Espero que a situação dos jonalistas seja rapidamente resolvida, assim como espero que esta lei seja efectivamente revogada pelo rídiculo representa.