Sunday, September 26, 2004

Home, home again...


Home, home again
I like to be here when I can
When I come home cold and tired
It's good to warm my bones beside the fire
Far away across the fields
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.

Breathe (Reprise), Pink Floyd

Hoje foi bom voltar a casa. Depois de estar longe do aconchego único do meu sofá, da minha cama e do meu "laboratório" (aka, quarto), senti um calor, talvez, só comparável ao do aconchego uterino.
Podia ser a pior casa do mundo, mas seria sempre a minha barriga aconchegadora.

Thursday, September 16, 2004

11 de Setembro, estado da Nação, Cruzadas e "cowboyadas"

Um relatório do S.I.S. e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras recentemente revelado informa que o atentado perpetrado nas cidades de Nova Iorque e de Washington estava destinado a ser cometido única e exclusivamente na cidade de Lisboa.
Por diversos motivos que passaremos a detalhar, e segundo as informações entretanto recolhidas, dois terroristas de algum lugar do Médio Oriente chegaram a Lisboa com a firme determinação de executar o “castigo de Alá para com os infiéis portugueses”. Tal castigo não pôde ser levado a cabo…
Eis a história e o itinerário seguido pelos dois terroristas uma vez chegados ao nosso país. (Sic, tal como consta do relatório).

Domingo (23:47)
Chegam ao aeroporto da Portela, via aérea, vindos da Turquia. Saem do aeroporto com oito horas de atraso, depois de conseguirem recuperar as bagagens que estavam perdidas.
Apanham um taxi. O taxista vê-os pelo espelho e ao ver a pinta de turistas que tinham, resolve passeá-los por toda a Lisboa durante uma hora e meia. Ao ver que não abriam o bico depois de lhes ser cobrado vinte contos pela tarifa, resolve tramá-los e, por telemóvel, chama um cúmplice que entra no taxi na Rotunda de Algés.
Depois de uma carga de porrada e de lhes terem roubado todos os seus pertences, deixam-nos em Monsanto na companhia dos esquilos.

Segunda-feira (16.30)
Ao acordarem, depois da carga de porrada, conseguem chegar a um Hotel da Segunda Circular.
Na viagem de carro do hotel para o centro, são confrontados com uma manifestação da Fenprof, em conjunto com uma de funcionários camarários e outra de agricultores do Alentejo, juntamente com alguns condutores de tractores do Oeste.
Ficaram retidos no trânsito por tempo indeterminado.

Segunda-feira (19:30)
Chegam ao Rossio. (Por fim!)
Precisam de trocar dinheiro, para se movimentarem sem levantar suspeitas. Os seus dólares são trocados por notas de dez mil escudos falsas…

Segunda-feira (19:45)
Chegados ao Aeroporto da Portela, tentam embarcar num avião que se desfizesse sobre a Ponte 25 de Abril.
Os pilotos da TAP estão em greve. Exigem que lhes quadrupliquem o seu ordenado e reduzam as suas horas de trabalho. Os controladores de voo queixam-se do mesmo.
O único avião em pista é da SATA Internacional e já tinha treze horas de atraso em relação à hora prevista para a sua partida.
O pessoal de terra e os passageiros acampam no aeroporto, gritam palavras de ordem contra o Governo e os pilotos.
Chega a Brigada de Intervenção da P.S.P. e distribui paulada por todos os presentes.

Segunda-feira (21:05)
Por fim os ânimos acalmam-se. Dirigem-se ao balcão de uma companhia não identificada e pedem dois bilhetes para o Porto, sempre com a intenção de o desviar e faze-lo explodir contra um dos pilares da ponte. Mas o funcionário do balcão (um tal Octávio Machado) vende-lhes bilhetes para um voo que estava cancelado…

Segunda-feira (21:07)
Tendo em conta o avanço da hora, discutem entre si se deverão executar o seu plano ou não. Fazer explodir a Ponte e tudo ao seu redor já lhes parece mais uma obra de caridade que um acto terrorista.

Segunda-feira (22:10)
Mortos de fome, vão comer algo no bar do Aeroporto. Pedem duas chamuças e rissóis de camarão com salada russa.

Terça-feira (10:00)
Recuperam no Hospital de São José de uma intoxicação por salmonelas causada pela salada russa, depois de terem esperado toda a noite no Serviço de Urgência para que os atendessem.
A recuperação teria sido rápida, não fosse o desmoronar do tecto da enfermaria onde foram instalados.

Terça-feira da semana seguinte (19:00)
Uma semana depois tem alta do hospital e, ao passarem pelo Bairro Alto, vêem-se envolvidos numa rixa entre gangs rivais de skins, que se unem para lhes dar outra valente sova.
Decidem “dar de beber à dor, que é o melhor", visto que nada lhes sai de feição. Várias garrafas de whisky de Sacavém levam-nos outra vez ao hospital com uma intoxicação por álcool metílico.

Quarta-feira (09:00)
Escondem-se num contentor do primeiro barco que encontram e resolvem fugir do país na esperanca de chegarem a Marrocos.
Com uma ressaca monumental, juram por Alá não voltarem a tentar nada no nosso “abençoado” país.
Decidem fazê-lo nos Estados Unidos, por ser muito mais fácil!

Ok, é apenas uma brincadeira, mas como a brincar se dizem as verdades, o que acabaste de ler não deixa de ser o reflexo do nosso caro país.

Lembrando o 11 de Setembro: lembro-me perfeitamente do momento em que soube do embate do primeiro avião. Estava a tocar na minha guitarra o "In from the storm" do Jimi Hendrix, quando de repente a minha mãe telefona-me e diz-me "Os Estados Unidos estão a ser atacados! Liga a televisão no 1." E lá ligo a RTP e fico surpreendido com tamanha barbaridade. O resto do dia televisivo foi, naturalmente, preenchido com o facto. Facto que me faz lembrar as Cruzadas perpetradas pelos europeus à cerca de 1000 anos, onde os cavaleiros iam eliminar os infiéis muçulmanos, tudo em nome de Deus e da sua redemição dos pecados. Hoje, nós somos os infiéis e as razões são a religião e, para além disso, a economia ocidental e, a meu ver, uma certa inveja do nosso estilo de vida, o qual não é permitido e é mal visto por muçulmanos mais conservadores. E Alá é grande...

No entanto, os "heroís" não saem inocentes desta história, uma vez que as gloriosas Cruzadas também andam por terras americanas. Ou deverei dizer, o "farwest" regressou? Talvez seja mais isso. Quando vemos "boas acções" que mascaram interesses, uma sede de vingança (Golfo, 1991) e um "espectáculo" sangrento e atroz, penso: "Bem, afinal os americanos já andavam no espaço no século XIX." E as massas, pelo menos neste momento a maior parte assim o indica, parecem ficar cada vez mais contentes com isto e cada vez apoiam mais o cowboy mor, pois assim tem um verdadeiro reality show. Quem disse que era preciso o José Castelo Branco?

Thursday, September 02, 2004

Afinal os atentados não são só terroristas...

Há dias que temos visto nos jornais a existência de um rapto no Iraque. Mais um, mas este despertou-me especial atenção. Esta foi a primeira notícia que consegui recolher sobre o facto:

"[...] A Al-Jazeera anunciou ontem à noite que dois jornalistas franceses, Christian Cheston (da Rádio France Internacionale) e Georges Malbrunot (do Le Figaro ), foram raptados pelo Exército Islâmico do Iraque - responsável pela morte do jornalista italiano. O grupo reclama a anulação da lei sobre o véu islâmico em França no prazo de 48 horas. [...]"

in Diário de Notícias


Ora de facto este acto é muitíssimo condenável. Toda a gente o condenou, até o próprio porta-voz muçulmano desta questão em França, condenou o acto e pediu a libertação dos jornalistas alegando que tudo está a ser feito para que esta questão seja resolvida. O governo francês pediu a libertação dos prisioneiros e fez os possíveis para que tal ocorra. Parece que sempre os vão libertar.

Agora surge a questão: Não serão os dois intervenientes, os raptores e a República Francesa, ambos uns terroristas? E passo a explicar-me.

  • O acto dos raptores julgo dispensa explicação. É um acto condenável o de raptar duas pessoas inocentes e dizer que as matam se uma lei não for revogada. Nos tempos que correm não é o caminho a percorrer. Somos seres inteligentes e falantes, portanto dialoguemos sobre a questão.

  • Fiquei espantado quando a ública Francesa anunciou esta lei (aliás, lembro-me até que tive uma acesa discussão com a minha mãe acerca deste assunto). Num país dito livre criam uma lei que proibe o simples facto de as pessoas utilizarem símbolos religiosos em escolas? Claro que destacou-se imediatamente o islamismo, pelo facto de ser uma cultura cada que cada vez mais emergente na sociedade francesa e pelo facto de as mulheres usarem um lenço, uma tradição bastante remota do islamismo.
    Como pudemos comprovar houve várias interpretações da lei, entre elas que a dita cuja só afectava o islamismo. Explicações que ouvi levam-me sempre à mesma conclusão: uniformizar uma sociedade. Em termos do quê? Julgo que só aspecto. E esqueçem-se que ao tentarem isto estão a cortar duas liberdades importante num país democrático, a liberdade de opção e a liberdade de expressão . Ora isso é ridículo num dos países mais evoluídos da Europa.

Nunca me senti afectado por um colega meu ter ideias diferentes e as expressar, assim como ter outro credo e o expressar. Julgo que tal também não ocorre em França. Sendo assim, o que se passa?
Espero que a situação dos jonalistas seja rapidamente resolvida, assim como espero que esta lei seja efectivamente revogada pelo rídiculo representa.