Thursday, September 16, 2004

11 de Setembro, estado da Nação, Cruzadas e "cowboyadas"

Um relatório do S.I.S. e do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras recentemente revelado informa que o atentado perpetrado nas cidades de Nova Iorque e de Washington estava destinado a ser cometido única e exclusivamente na cidade de Lisboa.
Por diversos motivos que passaremos a detalhar, e segundo as informações entretanto recolhidas, dois terroristas de algum lugar do Médio Oriente chegaram a Lisboa com a firme determinação de executar o “castigo de Alá para com os infiéis portugueses”. Tal castigo não pôde ser levado a cabo…
Eis a história e o itinerário seguido pelos dois terroristas uma vez chegados ao nosso país. (Sic, tal como consta do relatório).

Domingo (23:47)
Chegam ao aeroporto da Portela, via aérea, vindos da Turquia. Saem do aeroporto com oito horas de atraso, depois de conseguirem recuperar as bagagens que estavam perdidas.
Apanham um taxi. O taxista vê-os pelo espelho e ao ver a pinta de turistas que tinham, resolve passeá-los por toda a Lisboa durante uma hora e meia. Ao ver que não abriam o bico depois de lhes ser cobrado vinte contos pela tarifa, resolve tramá-los e, por telemóvel, chama um cúmplice que entra no taxi na Rotunda de Algés.
Depois de uma carga de porrada e de lhes terem roubado todos os seus pertences, deixam-nos em Monsanto na companhia dos esquilos.

Segunda-feira (16.30)
Ao acordarem, depois da carga de porrada, conseguem chegar a um Hotel da Segunda Circular.
Na viagem de carro do hotel para o centro, são confrontados com uma manifestação da Fenprof, em conjunto com uma de funcionários camarários e outra de agricultores do Alentejo, juntamente com alguns condutores de tractores do Oeste.
Ficaram retidos no trânsito por tempo indeterminado.

Segunda-feira (19:30)
Chegam ao Rossio. (Por fim!)
Precisam de trocar dinheiro, para se movimentarem sem levantar suspeitas. Os seus dólares são trocados por notas de dez mil escudos falsas…

Segunda-feira (19:45)
Chegados ao Aeroporto da Portela, tentam embarcar num avião que se desfizesse sobre a Ponte 25 de Abril.
Os pilotos da TAP estão em greve. Exigem que lhes quadrupliquem o seu ordenado e reduzam as suas horas de trabalho. Os controladores de voo queixam-se do mesmo.
O único avião em pista é da SATA Internacional e já tinha treze horas de atraso em relação à hora prevista para a sua partida.
O pessoal de terra e os passageiros acampam no aeroporto, gritam palavras de ordem contra o Governo e os pilotos.
Chega a Brigada de Intervenção da P.S.P. e distribui paulada por todos os presentes.

Segunda-feira (21:05)
Por fim os ânimos acalmam-se. Dirigem-se ao balcão de uma companhia não identificada e pedem dois bilhetes para o Porto, sempre com a intenção de o desviar e faze-lo explodir contra um dos pilares da ponte. Mas o funcionário do balcão (um tal Octávio Machado) vende-lhes bilhetes para um voo que estava cancelado…

Segunda-feira (21:07)
Tendo em conta o avanço da hora, discutem entre si se deverão executar o seu plano ou não. Fazer explodir a Ponte e tudo ao seu redor já lhes parece mais uma obra de caridade que um acto terrorista.

Segunda-feira (22:10)
Mortos de fome, vão comer algo no bar do Aeroporto. Pedem duas chamuças e rissóis de camarão com salada russa.

Terça-feira (10:00)
Recuperam no Hospital de São José de uma intoxicação por salmonelas causada pela salada russa, depois de terem esperado toda a noite no Serviço de Urgência para que os atendessem.
A recuperação teria sido rápida, não fosse o desmoronar do tecto da enfermaria onde foram instalados.

Terça-feira da semana seguinte (19:00)
Uma semana depois tem alta do hospital e, ao passarem pelo Bairro Alto, vêem-se envolvidos numa rixa entre gangs rivais de skins, que se unem para lhes dar outra valente sova.
Decidem “dar de beber à dor, que é o melhor", visto que nada lhes sai de feição. Várias garrafas de whisky de Sacavém levam-nos outra vez ao hospital com uma intoxicação por álcool metílico.

Quarta-feira (09:00)
Escondem-se num contentor do primeiro barco que encontram e resolvem fugir do país na esperanca de chegarem a Marrocos.
Com uma ressaca monumental, juram por Alá não voltarem a tentar nada no nosso “abençoado” país.
Decidem fazê-lo nos Estados Unidos, por ser muito mais fácil!

Ok, é apenas uma brincadeira, mas como a brincar se dizem as verdades, o que acabaste de ler não deixa de ser o reflexo do nosso caro país.

Lembrando o 11 de Setembro: lembro-me perfeitamente do momento em que soube do embate do primeiro avião. Estava a tocar na minha guitarra o "In from the storm" do Jimi Hendrix, quando de repente a minha mãe telefona-me e diz-me "Os Estados Unidos estão a ser atacados! Liga a televisão no 1." E lá ligo a RTP e fico surpreendido com tamanha barbaridade. O resto do dia televisivo foi, naturalmente, preenchido com o facto. Facto que me faz lembrar as Cruzadas perpetradas pelos europeus à cerca de 1000 anos, onde os cavaleiros iam eliminar os infiéis muçulmanos, tudo em nome de Deus e da sua redemição dos pecados. Hoje, nós somos os infiéis e as razões são a religião e, para além disso, a economia ocidental e, a meu ver, uma certa inveja do nosso estilo de vida, o qual não é permitido e é mal visto por muçulmanos mais conservadores. E Alá é grande...

No entanto, os "heroís" não saem inocentes desta história, uma vez que as gloriosas Cruzadas também andam por terras americanas. Ou deverei dizer, o "farwest" regressou? Talvez seja mais isso. Quando vemos "boas acções" que mascaram interesses, uma sede de vingança (Golfo, 1991) e um "espectáculo" sangrento e atroz, penso: "Bem, afinal os americanos já andavam no espaço no século XIX." E as massas, pelo menos neste momento a maior parte assim o indica, parecem ficar cada vez mais contentes com isto e cada vez apoiam mais o cowboy mor, pois assim tem um verdadeiro reality show. Quem disse que era preciso o José Castelo Branco?

2 Comments:

Blogger Mãozinhas said...

O que mais poderei acrescentar... É o pais que temos... que infelizmente anda atrasado 100 anos em relações aos outros mais desenvolvidos, mas mesmo assim eu acho, que é "abençoado"... Nem somos nem 8 nem 80... Temos os nossos valores e princípios... Só acho que falta confiança e coragem de deixar um passado que recentemente, não tem nada de histórico... vamos é ser audazes e deixar de andar na cauda dos outros… Sejamos como o nosso Vasco de Gama… Vamos à busca de novas riquezas e não nos deixemos ser explorados pelos outros.
E em relação ao 11 de Setembro … Vem eu estava na minha cozinha, com a televisão ligada na TV2… quando me dou por mim a ver as imagens das Twins Towers em chamas… e penso para os meus botões…” que filme é este que nunca ouvi falar…deve ser mais um filme de acção feito por algum realizador americano… mas fogo que ideia brutal”… isto em breves segundos de reflectir que estava a ver imagens em directo de uma cidade que adorava conhecer NYC… e pensei “a ficção realmente nunca vai chegar aos calcanhares da pura realidade”.
Bem…infelizmente milhares de pessoas morreram mas outras tantas também morrem todos os anos por variadas injustiças… será que a vida de uma americano vale mais que a vida de um africano ou de um iraquiano, ou até mesmo de um americano pobre que vive na miséria?!

A Polegar ;) Muito bom o teu post

23 September, 2004 21:07  
Blogger Xamusco said...

mt bom... vê se dá animo ao teu blog e nao desanimes...

:)

15 December, 2005 11:20  

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